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Apêndice: a gripe das aves

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Considerações sobre a gripe das aves.

 

Entendemos que   existe   um  certo "alarmismo"  por parte dos meios de comunicação quanto  ao fato da  gripe  aviária,  que  ocorre  na  Ásia e na Europa,  poder se transformar numa pandemia de gripe humana semelhante   à famosa gripe espanhola, que  ocorreu  em 1918  e  matou mais de 20 milhões de pessoas no mundo todo. No primeiro semestre de 2006, chegaram a publicar reportagens afirmando que a gripe aviária já estaria se disseminando entre os humanos.

 

No entanto, até hoje, apenas pouco mais de 200 pessoas adoeceram com o vírus H5N1 no hemisfério norte  e  essas pessoas,  provavelmente, tiveram   um contato direto com as aves  doentes  ou  contaminadas, pois o vírus das aves ainda não se mostrou  capaz  de  se disseminar  entre  humanos de uma  forma eficiente para provocar uma pandemia.

Ademais, em todo o hemisfério sul não se registrou, até o momento,  um  único  caso  de  gripe aviária provocado pelo vírus,  quer seja em aves ou em humanos, pois estamos longe da rota migratória das aves que transmitem a doença.

Entretanto,  a ampla  divulgação  sobre a possibilidade desta  doença se espalhar pelo mundo todo, inclusive entre humanos, já fez com que o consumo da carne de frango caísse drasticamente na Europa.  O  Brasil, sendo o maior exportador mundial e ocupando quase 40% do mercado internacional, tem se ressentido com a queda  deste consumo.

Realmente, há sempre a possibilidade do vírus da gripe aviária estagiar  nos  humanos ou em outros mamíferos, como  o porco,  e  trocar gens  com  um  vírus da gripe humana comum,  tornando-se, assim,  geneticamente apto a  desencadear uma pandemia de gripe aviária através da transmissão inter-humanos do vírus modificado.

 

Porém, acreditamos ser este evento  pouco provável, não só pelo pequeno número  de casos de gripe aviária  ocorrendo em humanos  e mamíferos, como, também,  devido ao controle que está sendo exercido pelas autoridades sanitárias  e pela população, quanto ao  procedimento de  isolar os poucos pacientes contaminados  em hospitais e as aves nos criadouros. Outras providências importantes são:  o  abate  das aves doentes,  o controle    nos  aeroportos,  portos  e  rodovias  quanto à  entrada de produtos avícolas de origem suspeita  e  a  proibição da importação de aves ornamentais, feita  inclusive  no  Brasil.

Uma outra estratégia que está sendo programada é a da identificação do vírus imediatamente após a sua chegada, para evitar  que  a doença  se  alastre. O primeiro surto do vírus H5N1, registrado em Hong-Kong em 1997, foi abortado, após a sua identificação, com o abate de todas 1,5 milhão de aves de criação do país.

Existem, então, evidências de que, se houver  mutação do vírus  e a decorrente pandemia, esta  poderá  ser contida em seu nascedouro, desde que sejam tomadas as diligências necessárias. 

 

Além disso, atualmente,  caso ocorra    uma  pandemia de gripe humana, já existem os antibióticos   e  as  vacinas,  que  não  existiam  na época da "espanhola". 

Sabe-se que 2/3 dos óbitos das gripes devem-se às complicações bacterianas, às pneumonias,  que podem ser combatidas  com  antibióticos, principalmente se a doença for logo diagnosticada e tratada;  sabe-se, ainda, que uma vacina polivalente ou de vários  sorotipos virais   também pode ser  aplicada  na prevenção da gripe   até que se obtenha a vacina específica, após a identificação do novo  vírus epidêmico.

 

Hoje em dia,  existem   ainda  os  medicamentos  antivirais, como o Tamiflu, fabricado pelo laboratório Roche, e cujo lucro das vendas passou de 254 milhões para mais de 1 bilhão, em 2005, devido a  todo este alarde.

O Tamiflu é quase um paliativo, aliviando principalmente  os sintomas da gripe, mas,  no caso deste  vírus,  poderá nem fazer efeito, pois,  como  no caso  das  vacinas, não sabemos ainda  a  estrutura genética do novo  vírus mutante. 

Ademais,  acreditamos que  a gripe aviária não perdurará no verão  como uma  epidemia  por  razões climáticas.  Assim,  os  que compraram  grandes estoques de Tamiflu,  certamente,  verão seus prazos de validade expirarem antes da entrada da "provável" pandemia.

A propósito, recentemente, este medicamento foi acusado pela FDA americana de provocar problemas psiquiátricos  em  alguns  pacientes.

 

Em 1918, o mundo saía da 1ª grande guerra quando ocorreu a pandemia da gripe espanhola, provavelmente oriunda também das aves.  

Nesta época, não havia o menor controle sanitário  das   autoridades  e  da  população,   devido à  ignorância científica   aliada   à    precariedade dos meios de comunicação, da grande movimentação de tropas enfraquecidas  pela guerra,  e ainda, das populações famintas  e  da falta  de  higiene. Tudo  isto contribuiu  para  a disseminação  da doença, e hoje, sabe-se que, em função de todas essas condições adversas,  a letalidade  da gripe observada na Europa  parece ter sido três vezes maior do que  a  ocorrida,  por exemplo,  em São Paulo, apesar do inverno neste Estado  ter sido especialmente  frio  naquele  ano.

 

A gripe espanhola (gripe humana) começou na cidade de San Sebastián no inverno de 1918 e perdurou até a primavera,  desaparecendo completamente no verão. Depois, voltou como uma segunda  onda,   no final do verão, com  as  temperaturas  já caindo  e, desta vez, nos países que ainda não tinham sido atingidos,  inclusive, quase todos da América do Sul. 

 

É  importante aqui ressaltar que a atual gripe ainda não é uma pandemia humana e sim aviária  e  com apenas alguns poucos  casos  em  humanos, principalmente no sudeste asiático. 

Além disso, esta doença   das aves tende sempre a desaparecer nos verões no hemisfério norte como uma epidemia, pois, mesmo lá,  a transmissão  viral  é dificultada  pelo  clima  mais quente   e  o organismo das aves torna-se  mais resistente e protegido  do  vírus quando  a radiação solar é mais intensa  e  há  mais calor.

 

Por tudo isso,  discordamos  da  tese  de que "uma futura pandemia de gripe humana  igual a de 1918 seja inevitável  para  a  humanidade", pois,  com  a chegada do verão no hemisfério norte, ganharemos praticamente   mais   um  ano   para  novas   pesquisas científicas.  

Sabe-se hoje que, embora  este  tempo possa parecer curto,  na verdade,   será  um tempo  precioso para  os  novos  estudos científicos  sobre  os vírus,  e  é assim que se ganham  as  batalhas  contra qualquer doença. 

A  última  pandemia  de  gripe  humana    aconteceu   em  1968 (considerada leve)   e, anteriormente, só havia ocorrido  em 1957  (gravidade moderada),   e  em  1918 (grave).   Portanto,  teoricamente,  poderemos ficar  ainda algum  tempo sem  que nada ocorra; ademais, observamos que  a medida que os anos têm avançado, e com isto  os conhecimentos e procedimentos   de  como combater   a    doença,   esta   tem se tornado menos  virulenta como epidemia.

 

Assim sendo,  a  cada inverno que conseguirmos passar incólumes através de uma constante vigilância sanitária, menos chances haverá de ocorrer, no futuro, uma pandemia de gripe nos moldes da "espanhola", devido justamente  às novas descobertas   e  aos avanços científicos  no que tange às  vacinas, aos medicamentos, antibióticos   e ao próprio conhecimento  geral  da doença.

Por exemplo: recentemente, o governo dos EUA anunciou a assinatura de cinco contratos no valor de um bilhão de dólares para que os  laboratórios desenvolvam vacinas modernas e eficientes  contra a gripe humana e mais recente ainda, um estudo realizado por um grupo internacional de cientistas conseguiu relacionar os efeitos da epidemia de gripe de 1918 aos vírus H5N1 da gripe aviária.

Isto é fundamental para se descobrir novas vacinas e estratégias de como combater o vírus atual, que age da mesma forma que o antigo vírus, que foi  reconstruido com muito esforço em laboratório a partir dos gens extraidos dos cadáveres de algumas vítimas da antiga epidemia.

 

Como  poderemos  constatar  no  próximo  tópico  deste site,   versando   sobre  os  fundamentos científicos,  o sol  além de ser o grande "controlador"  da quantidade de microrganismos na atmosfera  e  que podem  nos afetar,   influencia    também   os  mecanismos   da  transmissão  aérea de  vírus  e  bactérias   entre  os  seres humanos   e  entre  os  animais,  incluindo  as aves. 

Poder-se-ia imaginar que o  aumento da umidade de verão no hemisfério norte poderia    favorecer os mecanismos da  transmissão aérea  viral,  porém, isto não ocorre na prática, pois  é amplamente compensado pelo aumento da intensidade  da radiação solar e pela maior resistência do organismo das aves e dos humanos  aos  vírus  a  temperaturas mais elevadas. Por isso, as notícias sobre a gripe aviária praticamente desaparecem durante o verão no hemisfério norte, retornando no inverno.

 

Como comentário final e  ironia: o remédio mais popular, recomendado e usado no Brasil  para combater a gripe espanhola de 1918  era  a  canja de galinha.

 

 

 

 

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